
A hérnia é uma das condições cirúrgicas mais comuns no Brasil, afetando milhões de pessoas. Apesar de muito frequente, ainda existe bastante dúvida sobre quando operar, como é o procedimento e o que esperar na recuperação. Neste artigo, respondo as principais perguntas que os pacientes me fazem no consultório.
Uma hérnia ocorre quando um órgão ou tecido interno se projeta através de uma abertura ou ponto fraco na parede muscular que deveria contê-lo. Os locais mais comuns são a virilha (hérnia inguinal), o umbigo (hérnia umbilical), a região epigástrica (hérnia epigástrica) e a cicatriz de cirurgias anteriores (hérnia incisional).
Os sintomas mais frequentes são: abaulamento visível na região afetada, dor ou desconforto ao se esforçar, tossir ou se curvar, e sensação de peso ou pressão local.
Nem toda hérnia exige cirurgia de urgência, mas a grande maioria precisa ser operada em algum momento. As indicações mais importantes são:
Hérnia estrangulada é uma emergência médica. Se a pele sobre a hérnia ficar vermelha, quente e o paciente apresentar dor intensa e febre, procure a emergência imediatamente.
Na cirurgia aberta, é feita uma incisão na região da hérnia para reposicionar o tecido e reforçar a parede muscular com sutura e, frequentemente, com uma tela (prótese de polipropileno). É a técnica mais tradicional e ainda amplamente utilizada, especialmente para hérnias inguinais.
Na cirurgia laparoscópica, são feitas pequenas incisões (de 0,5 a 1 cm) pelo abdômen para introdução de câmera e instrumentos cirúrgicos. A tela é colocada por dentro da parede abdominal, cobrindo o defeito herniário. As vantagens incluem menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida, menor cicatriz e menor taxa de infecção.
A escolha da técnica depende do tipo e tamanho da hérnia, condições clínicas do paciente, cirurgias anteriores e preferência do cirurgião. Em consulta, avaliamos juntos qual é a melhor opção para cada caso.
Dependendo do tipo de cirurgia e do estado de saúde do paciente, pode ser utilizada anestesia geral, raquidiana (da cintura para baixo) ou local com sedação. Em todos os casos, o procedimento é realizado com anestesiologista presente, garantindo segurança e conforto durante toda a cirurgia.
A recuperação varia conforme a técnica utilizada e o tipo de hérnia, mas de forma geral:
Como qualquer procedimento cirúrgico, a herniorrafia tem riscos, mas são infrequentes quando realizada por cirurgião experiente. Os principais são: infecção da ferida operatória, hematoma local, recidiva da hérnia (retorno do problema), dor crônica na região e, em casos de hérnia inguinal, lesões em estruturas próximas como vasos ou nervos.
Na consulta pré-operatória, avaliamos todos os fatores de risco individuais e discutimos as melhores estratégias para minimizá-los.
Se você percebeu um abaulamento na região da virilha, umbigo ou cicatriz de cirurgia anterior, não ignore. Procure avaliação médica mesmo que não tenha dor. A hérnia não se resolve sozinha e tende a crescer com o tempo, tornando a cirurgia mais complexa e aumentando o risco de complicações.

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Artigo escrito por Dra. Mariana Hassan — Cirurgiã Geral
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Sobre a autora
Cirurgiã Geral
Cirurgiã altamente qualificada, reconhecida pela precisão técnica e compromisso com resultados seguros. Atua com foco em inovação, protocolos atualizados e atendimento humanizado na cirurgia geral, incluindo procedimentos laparoscópicos.
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